Testes realizados por smartphones são confiáveis?
Você já deve ter ouvido falar que alguns smartphones estão realizando a audiometria tonal liminar e deve ter se perguntado o quão confiável são os resultados. Não se sintam só, vários pesquisadores fizeram a mesma pergunta, então vamos às respostas. O estudo foi conduzido por Seung Yeol Lee e colaboradores do Departamento de Otorrinoloringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina da Universidade de Hanyang, Seul, Coreia.
O estudo avaliou a viabilidade da audiometria baseada em aplicativo em comparação com a audiometria tonal pura convencional. Realizado em um hospital terciário entre 2021 e 2022, envolveu 70 pacientes adultos que passaram por ambos os testes auditivos. A audiometria convencional foi feita em cabine acústica, enquanto a baseada em aplicativo utilizou um iPad e fones de ouvido em ambiente silencioso. Os limiares auditivos foram comparados entre os métodos, categorizando os pacientes conforme os critérios da OMS. A análise estatística indicou uma correlação significativa entre os dois testes. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética e seguiu diretrizes clínicas.
A análise de correlação de Pearson mostrou uma forte relação entre os resultados da audiometria convencional e a baseada em aplicativo, com coeficiente geral de 0,830. A diferença de limiar foi maior em frequências mais altas. A precisão do teste por aplicativo variou conforme o nível de audição, sendo alta para perda leve (97,4%), mas menor para perdas moderadas (22,2%) e severas (38,5%). Em pacientes com audição simétrica, a diferença média de limiar entre os métodos foi de 14,8 dB, enquanto na audição assimétrica, variou entre 12,0 dB (melhor ouvido) e 27,7 dB (pior ouvido).
Portanto, esse estudo avaliou a viabilidade da audiometria baseada em smartphone, encontrando forte correlação com a audiometria convencional, especialmente para audição normal ou perda leve. O aplicativo demonstrou alta acessibilidade e custo-benefício, mas apresentou limitações em frequências altas e casos graves de perda auditiva, possivelmente devido a problemas de calibração e ausência de mascaramento. Diferenças significativas foram observadas em pacientes mais velhos e com audição assimétrica. A necessidade de padronização de equipamentos, melhorias na interface e diretrizes mais detalhadas foram destacadas para garantir maior precisão e usabilidade.
Inara M.M. Monteiro e colaboradores da UFRN realizaram um estudo onde avaliaram a Precisão dos testes de triagem auditiva baseados em smartphones. A revisão sistemática avaliou a precisão de aplicativos de smartphones para identificar perda auditiva, analisando 17 estudos publicados entre 2015 e 2020. Quatro atenderam a todos os critérios metodológicos. Os aplicativos mais estudados foram **Digits-in-Noise Test, uHear, HearScreen e HearTest**, com sensibilidade e especificidade entre **75% e 100%**. Esses aplicativos demonstraram maior precisão e podem ser considerados métodos confiáveis para triagem auditiva.
Espadas de Chloe e colaboradores do Departamento de Otologia da Cambridge University Hospitals NHS Foundation Thust realizaram um estudo de validade multicêntrico de quatro aplicativos de teste auditivo para smartphones em ambientes otimizados e domésticos. Foi um estudo multicêntrico, prospectivo e randomizado foi realizado com pacientes submetidos à audiometria tonal liminar realizado em clínicas. Os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre quatro aplicativos disponíveis para medir limiares de tons puros. Cada um utilizou um aplicativo uma vez em condições acústicas controladas e três vezes em casa. Os limiares auditivos foram comparados pelo coeficiente de correlação de Pearson, e a porcentagem de testes com resultados dentro de ±10 dB da PTA foi calculada. A aceitabilidade foi avaliada por meio de uma pesquisa online.
Dos 139 participantes, os dados de dois aplicativos mostraram forte correlação com a audiometria tonal liminar, apresentando mediana específica de frequência dentro de ±10 dB de precisão. A audiometria realizada em ambiente controlado e domiciliar também demonstrou alta correlação. Além disso, 90% dos usuários consideraram os aplicativos fáceis de usar e aceitariam utilizá-los para monitoramento auditivo. Dois dos quatro aplicativos avaliados demonstraram validade e viabilidade para audiometria autoexecutada via smartphone. Essa abordagem pode fornecer estimativas de limiar auditivo em casa, facilitando avaliações remotas e o monitoramento da perda auditiva flutuante.
Pavitra Saxena e Dilip Raghavan do Hospital de Agra, na Índia, realizaram um estudo diagnóstico foi realizado em um grupo heterogêneo de 250 indivíduos, independentemente de seus níveis de audição. Os limiares auditivos de ambos os ouvidos foram medidos por audiometria tonal liminar e por um aplicativo de telefone, sendo posteriormente comparados estatisticamente. A concordância entre os métodos foi estatisticamente significativa tanto para o diagnóstico quanto para a classificação da perda auditiva. Embora o audiometria tonal liminar permaneça como o padrão ouro para avaliação auditiva, o aplicativo de teste auditivo, altamente reprodutível e específico, disponível gratuitamente, pode servir como uma ferramenta de triagem em áreas remotas, auxiliando na redução da lacuna entre a demanda e a disponibilidade de serviços audiométricos de diagnóstico.
Resumindo
Os estudos revisados avaliaram a confiabilidade da audiometria baseada em aplicativos de smartphones, comparando-a com a audiometria tonal liminar (PTA), padrão ouro para diagnóstico auditivo. Embora todos tenham encontrado correlações significativas entre os métodos, as limitações e a aplicabilidade variaram conforme a metodologia e o público analisado.
Precisão e Correlação com a audiometria tonal liminar
Lee et al. (Coreia, 2021-2022): Encontrou uma forte correlação entre os testes, especialmente para audição normal e perda leve (97,4%). No entanto, a precisão foi menor em perdas moderadas (22,2%) e severas (38,5%), com diferenças maiores em altas frequências e audição assimétrica.
Espadas et al. (Reino Unido): Dois dos quatro aplicativos testados mostraram forte correlação com a PTA, com precisão de ±10 dB. O uso em ambiente doméstico manteve alta correlação com os testes realizados sob condições acústicas controladas.
Saxena & Raghavan (Índia): Confirmaram a concordância estatisticamente significativa entre a audiometria por aplicativo e a PTA para diagnóstico e classificação da perda auditiva, destacando o potencial do método para triagem em áreas remotas.
Monteiro et al. (Brasil): A revisão sistemática identificou que os aplicativos Digits-in-Noise Test, uHear, HearScreen e HearTest apresentaram sensibilidade e especificidade entre 75% e 100%, sendo considerados os mais precisos para triagem auditiva.
Aplicabilidade e Usabilidade
Lee et al. destacou a necessidade de padronização de equipamentos, calibração e diretrizes mais detalhadas para melhorar a precisão, especialmente em altas frequências e audição assimétrica.
Espadas et al. relataram que 90% dos participantes consideraram os aplicativos fáceis de usar e aceitariam utilizá-los para monitoramento auditivo.
Monteiro et al. reforçaram que alguns aplicativos são mais confiáveis que outros, sugerindo que a escolha do aplicativo pode influenciar diretamente os resultados da triagem.
Saxena & Raghavan enfatizaram o potencial da audiometria por aplicativo como alternativa viável para regiões com acesso limitado a serviços audiológicos.
Embora a audiometria por smartphone ainda apresente desafios, como calibração e precisão em casos mais graves de perda auditiva, os estudos confirmam seu potencial para triagem auditiva, especialmente em áreas de difícil acesso. Aplicativos validados podem ser ferramentas eficazes para monitoramento remoto da audição, complementando a audiometria convencional.
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